A despedida de Swans no Lisboa ao Vivo

Michael Gira diz dos Swans: «swans are majestic, beautiful looking creatures, with really ugly temperaments». Na verdade, não estão muito longe de serem bonitas criaturas e muito menos de transmitirem uma ideia de bom comportamento. Segundo Gira, o nome Swans (cisnes na tradução portuguesa) foi escolhido por ser o que representava de melhor forma a música que pretendiam criar. Os Swans são uma banda norte-americana, inicialmente activa entre os anos 1982 e 1997, e que posteriormente se reuniu em 2010. Após seis grandes álbuns anunciou um nova e provavelmente derradeira recolha. Sempre liderados por Michael Gira, os últimos registos definem-se dentro da onda do pós-punk e rock experimental. A banda, que já passou algumas vezes por Portugal – inclusive este ano no Nos Primavera Sound, onde deram um dos concertos mais marcantes do festival – anunciou duas datas nos nosso país para a sua despedida.

No passado dia 9, segunda-feira, os Swans marcaram presença no Lisboa ao Vivo para aquele que foi um concerto memorável. A primeira parte ficou a cargo de Baby Dee, artista americana que com os seus quase 70 anos recebeu o público que ia compondo a sala. Swans entram no palco uns minutos antes das 21h30, hora a prevista para o início do concerto. «The Knot» foi o tema de arranque e, apesar dos seus longos 45 minutos de duração, a música consegue deixar-nos em hipnose durante vários momentos, tal como todas as outras. Num concerto que durou quase três horas, seguiram-se músicas como «Oxygen» ou «Screen Shot», passando por quase todos os últimos registos. As músicas fazem-nos viajar. Às vezes até nos sentimos fora do espaço e, de repente, voltamos ao concerto. Os temas, apesar de poucos, são longos e existem vários momentos de tensão que resultam depois em tantos outros momentos igualmente satisfatórios. Não há nada mais purista e gratificante do que sentir a verdadeira Wall of Sound proporcionada pela banda, numa sala bastante composta e com o público visivelmente satisfeito com a performance da banda. No final do concerto, Michael apareceu sozinho para conversar com o público despedir-se de vez, havendo tempo e espaço para pequenas conversas, autógrafos e fotograficas. Apesar do respeito que Gira impõe no palco, foi muito simpático e delicado com quem lhe foi ver e ouvir, mostrando-se sempre disponível para agradar aos fãs. Até sempre, Swans.

 

La Bohemie.

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