Benjamin Clementine no Super Bock Super Rock | Reportagem Fotográfica

A voz de Benjamin Clementine parece ter um poder qualquer sobre a nossa perceção do tempo. Quem ouve o músico britânico fica ali entre o passado, o presente e o futuro, sem saber em que época está e só a querer saber da música que ouve. Embora as canções sejam intemporais, como qualquer boa música, Benjamin não deixa de ser um homem deste nosso tempo, o que só pode contrariar as vozes mais pessimistas em relação ao futuro da música. O entusiasmo de quem o ouve é só uma espécie de contágio do próprio entusiasmo com que Benjamin Clementine se dedica à música. É assim desde o tempo em que tocava e cantava nas ruas de Paris. As dificuldades pelas quais passou foram solo fértil para os frutos artísticos do artista, que hoje não se deixa deslumbrar por um público encantado, uma crítica rendida e aplausos públicos que vão da cantora Björk até Paul McCartney. Em 2015, editou o primeiro disco, At Least By Now, que deu a conhecer a teatralidade ao serviço das canções, a voz poderosa, a poesia exigente, influenciada por poetas como William Blake, TS Eliot ou pelo próprio texto bíblico. Dois anos depois, editou o segundo álbum, I Tell a Fly. Tudo aquilo que já era bom no primeiro, mantém-se no segundo, mas ainda há mais. Neste disco, Benjamin brinca com o formato canção, desafia as próprias melodias, critica uma sociedade carente de valores e acrescenta dramatismo a temas que pedem um verdadeiro intérprete e não apenas um cantor competente. No Palco Super Bock cantou-se em plenos pulmões temas tão sublimes como «Phantom of Aleppoville» ou «Jupiter».

 

Fotos: Arlindo Homem

 

La Bohemie.

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