De regresso a Cem Soldos, para sempre BONS SONS

Foi durante os dias 11 e 14 de agosto que a aldeia de Cem Soldos recebeu mais uma edição do festival BONS SONS. Não foi o primeiro. Nem o segundo. E com certeza não será o último. Quem vem experimentar dificilmente não regressa, sozinho ou acompanhado. O Festival apresenta, ano após ano, um leque de artistas nacionais de luxo. Conseguiu durante anos não repetir um único artista ou banda, não só aqueles que já são conhecidos e adorados pelo público, como também novos talentos e promessas que vão aparecendo pelo país fora nestas novas ”festas da terra” a que podemos chamar de festivais de verão.

 

O BONS SONS é isso mesmo – um festival de verão, uma festa da terra, numa Aldeia transformada em algo muito mais especial nas dimensões ideais, o que proporciona um ambiente íntimo, acolhedor e familiar. Quem vem sabe que vai ser surpreendido, e quem não conhece deixa-se surpreender. A juntar à música, no Festival encontramos a cada esquina um conjunto de programas culturais difíceis de resistir, desde curtas metragens a atividades para crianças, favorecendo ainda mais este ambiente familiar e acolhedor que tanto o carateriza. Na Aldeia vemos pessoas de todas as idades – há crianças e adolescentes, adultos e idosos – habitantes, visitantes e até alguns estrangeiros. Apesar de pequena, não é difícil perdermo-nos na aldeia de Cem Soldos que, reestruturada para o evento, conta com 8 palcos e uma programação peculiar em cada um deles. Uma experiência única em Portugal que nos faz sentir em casa e que, ano após ano, surpreende progressivamente.

A vida na Aldeia é só uma, mas a rotina no Festival é constante. Começamos com sessões de música para crianças todos os dias às dez da manhã. Os primeiros concertos acontecem no palco Música Portuguesa a Gostar dela Própria (MPAGDP), que tem um programa específico a cargo deste movimento. Sendo um palco dentro de uma igreja, apresenta projetos mais intimistas e muitas vezes desconhecidos do público em geral. À tarde começam os concertos no palco Giacometti que se estende pelas ruas e varandas das casas de quem as abre. Curiosamente, são estes mesmos concertos que acabam por ser os mais surpreendentes e arrepiantes do BONS SONS, talvez pela proximidade que conseguimos ter com os artistas, ou apenas pelo facto de tocarem num coreto no meio da Aldeia. Destacamos o concerto de Surma, jovem de Leiria que recentemente passou por diversos festivais em Portugal e tem vindo a crescer. Surma, ou Débora, sobe ao palco sozinha e hipnotiza toda a gente. De uma tremenda simpatia, consegue transmitir ao público a ideia de conforto e este sente-se de imediato confortável, preso à sua música.
No palco Tarde ao Sol também acontecem alguns concertos, antes de este se pôr, situado junto às escadas da igreja. É este um dos mais carismáticos aspectos de Festival, todos os cantos e recantos da Aldeia servem de palco, para uma curta ou longa atuação. Os músicos são também público, o público é também coro.
Ao cair da noite os concertos alternam-se entre o palco Eira e o palco Lopes Graça. O facto de não existir sobreposições é algo a notar no Festival, pois permite-nos assistir todos os concertos sem conflitos e de forma mais relaxada. Por fim, a noite na Aldeia acaba no palco Aguardela ocupado por DJs temáticos, onde podemos dar uns pés de dança. Há quem prefira fazer a festa pelas ruas e ruelas, porque existe sempre animação, coisas, pessoas e lugares por descobrir.

Ao longo dos quatro dias da oitava edição do BONS SONS, a Aldeia recebeu 32.500 visitantes. Entre 15 concertos espontâneos no Palco Garagem, 41 concertos de 181 artistas, destacamos os de Capitão Fausto, Throes and The Shine e Samuel Úria, sendo muito provavelmente dos pontos mais altos do Festival, e nos quais houve uma maior adesão do público. Com direito a muito eurforia dos verdadeiros fãs, crowdsurf e mosh, os Mão Morta e Holly Nothing. Rodrigo Leão e Orelha Negra como dois dos preferidos. E, por fim, o concerto de José Cid que tocou o álbum 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte, talvez um dos concertos mais esperados do Festival, e que acabou por se tornar num dos momentos mais especiais deste ano.

Fotos: Pedro Casinhas

 

La Bohemie

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *