Lola Marsh são uma ode sincera aos primórdios da química criativa num clima melancólico | Super Bock em Stock

Na segunda noite do festival Super Bock em Stock rendemo-nos ao indie irresistível da dupla Lola Marsh e às suas bonitas canções pop, com uma toada melancólica, e ao mesmo tempo otimistas e preocupadas em encontrar beleza até nos momentos mais comuns da vida quotidiana.

 

É difícil não nos apaixonarmos por Lola Marsh, mas é ainda mais inexequível não associarmos esta dupla de Israel a uma qualquer cena entre Penélope Cruz e Javier Bardem, em Vicky Cristina Barcelona. A cantora Yael Shoshana Cohen e o multi-instrumentista Gil Landau fazem-nos querer passear pelas Las Ramblas de mãos dadas, comer gelados com sabor a pêssego, tirar fotografias Polaroid com os cabelos despenteados ou correr atrás de bolas de sabão que se dissipam no ar. Com sons exuberantes e vocais cativantes, a dupla de pop-rock criou um ambiente de fantasia que catapultou a banda para a cena da música indie, folk e eletro-pop. Em 2016 estrearam-se com com o EP «You’re Mine» e, imediatamente, a voz sedutora de Cohen nas vibrantes produções de Landau seduziu os amantes da música pop-folk, tão rica e saborosa quanto viciante. O som único é influenciado por uma ampla gama de artistas e géneros, desde Fleet Foxes a Sufjan Stevens, os vocais de Yael soam a Lana Del Rey com subtis indícios de Edith Piaf, e há um certo som old-school que permeia a sua música, uma mistura de moderno e antigo para criar algo original.

Fugimos do frio da rua e envolvemo-nos no calor humano da Casa do Alentejo para ouvir temas como «Sirens», «She’s a Rainbow» ou Hometown». A música dos Lola Marsh brilha com um suave romantismo e uma doce nostalgia. Amizade, amor e medo da infância são temas recorrentes que fluem ao longo das canções. Sempre com uma vibe orquestral, entre pop e folk, Remember Roses é um disco cheio de charme e espírito de aventura. Cada música é um mundo em si, cada música puxa o coração da maneira mais profunda e bonita. As letras pessoais, expressas através do canto de Cohen, misturam-se com um acompanhamento caloroso e acolhedor para criar um som intimista. No palco canta-se, dança-se, assobia-se. No público repete-se. Aplaude-se. Casa cheia, sorrisos preenchidos.

Acompanhados por Mati Gilad no baixo, Rami Osservaser nas guitarras e teclados, Brian Rivlin igualmente nas teclas e Dekel Dvir na bateria, Yael e Gil mostram-nos como a sua união especial e harmonia emocional são tão importantes para se criar um disco coerente. Juntos montam uma ofensiva poderosa o suficiente para derrubar algumas defesas bastante robustas, na qual destilam o seu som para um pequeno conjunto de ingredientes sobressalentes e agradáveis. No caso da efervescente e contagiante «Wishing Girl», esses blocos de construção são simples, mas potentes: a voz de Cohen, um ukelele de Landau e assobios soam como um dia de praia no início do verão em Tel Aviv, quando uma brisa leve sopra, o mar corre, e o sol brilha. Lola Marsh são uma ode sincera aos primórdios da química criativa num clima melancólico.

Lola Marsh no Super Bock em Stock, 24 de novembro

Foto: Super Bock em Stock

 

 

La Bohemie.

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