Música portuguesa no Super Bock em Stock: April Marmara, Bejaflor, Cassete pirata, David Bruno e Elisa Rodrigues.

É já no próximo mês que o Super Bock em Stock vai receber alguns dos principais talentos da nova música portuguesa, artistas que garantem o futuro da produção nacional e que testam as convenções de cada género, surpreendendo o público com novas sonoridades. É o caso de Elisa Rodrigues, Cassete Pirata, Bejaflor, April Marmara e David Bruno, as mais recentes confirmações para o cartaz do Festival.

 

Nos últimos anos, Elisa Rodrigues acumulou muitas experiências de palco, integrando equipas de outros artistas portugueses ou assumindo o desafio em nome próprio. O seu disco de estreia, Heart Mouth Dialogues, editado em 2011, revela todo o seu talento. Sem nunca perder a identidade marcada pelo jazz, Elisa conseguiu trabalhar com influências muito distintas. Depois desse disco, Elisa foi recrutada para gravar com a banda britânica These New Puritans, assumindo essa responsabilidade no disco Field Of Reeds, editado em 2013, e acabando por manter esse posto de destaque na digressão intercontinental do grupo. Neste momento, a própria Elisa Rodrigues aponta o caminho do futuro: o novo disco As Blue As Red é um registo amadurecido, sim, mas que dispensa muitas invenções. Com dez temas originais, conta com a inspirada produção de Luísa Sobral e também com um núcleo de excelentes instrumentistas. O novo álbum surpreende aqueles que já conhecem a artista e seduz os muitos que começam agora a conhecer a voz da artista.

 

Os Cassete Pirata estrearam-se com o lançamento do EP homónimo em 2017. Atualmente estão na fase final de produção do seu disco e até já desvendaram uma das suas novas canções, com o vídeo de «Outro Final Qualquer». Liderados por João Firmino, vocalista e compositor da maior parte dos temas, os Cassete Pirara contam com a bateria de João Pinheiro, o baixo de António Quintino, a dupla única de cantoras e teclistas Margarida Campelo e Joana Espadinha, e contam ainda com o produtor musical Luís Nunes. Vindos maioritariamente das escolas de jazz de Lisboa e Amesterdão, os Cassete Pirata trazem as canções rock diretamente da juventude, canções que reprimiram durante o estudo das harmonias do jazz. O lirismo das melodias e o som psicadélico dos teclados vêm de quem juntou os Supertramp e os Melody’s Echo Chamber aos discos de Coltrane e Milton Nascimento. Com a sua sonoridade rock, os Cassete Pirata são reconhecidos como uma das mais promissoras bandas do panorama musical português. Em novembro, espera-se um concerto cheio daquela energia que marca o trabalho dos Cassete Pirata.

 

Do rock para o pop, Bejaflor é uma pequena criatura que habita a floresta do pop do nosso país, onde pulsam ritmos quebrados, além de vozes e harmonias sintetizadas por José Mendes, um jovem produtor com apenas 19 anos. O álbum de estreia homónimo de Bejaflor é composto por canções – na sua plenitude melódica e lírica – com uma estética pop em andamento eletrónico e com influências hip hop, mais modernas e sofisticadas. Na sua música, há ainda ecos de B Fachada, por exemplo, além da enorme vontade de dar a conhecer a sua própria voz, sem perder um apelo pop muito evidente ao longo deste registo de estreia.

 

April Marmara é o solitário projeto de ghost folk cantado e composto por Bia Diniz. Com uma invulgar serenidade nos dedos e na pose, e com um registo vocal cuidado e arrepiante, April Marmara apresenta-nos as suas negras canções de amor. São canções sem espinhas ou gorduras desnecessárias – ora lembram as noites de vendaval vistas pela janela do quarto, ora lembram os passeios ao sabor da brisa das pálidas manhãs de Outono. São imagens e mais imagens que Bia Diniz canta sem qualquer pudor. Esta é música corajosa e, quem ouve, reconhece essa coragem, além da nostalgia, a solidão e a universalidade de quem escreve canções folk assim, sem qualquer afetação. Tudo isto é folk, e exatamente como folk deve ser, ou seja, solitário e bem cantado.

 

E, por último, mais um projeto português. David Bruno do Santos Besteiro, mais conhecido por dB, é um produtor português de Vila Nova de Gaia. Depois de dar a conhecer o seu talento em projetos como o Conjunto Corona, David Bruno apresenta-se agora com um novo projeto a solo. «O Último Tango em Mafamude» é uma obra multimédia, onde os samples de áudio e de vídeo dão origem a uma espécie de vídeo-álbum marcado pelo arrojo e pela originalidade. Com referências visuais nacionais e referentes às décadas de 80 e 90, este objeto artístico é uma ode a uma época dourada na história recente do nosso país. Sendo assim, o artista abandona a cidade e, confrontado com esse amor não correspondido, decide contar toda a história num disco absolutamente imperdível.

 

La Bohemie.

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