O festival Terras Sem Sombra estreia-se em Barrancos.

O Terras Sem Sombra está quase a chegar ao fim da sua 14.ª edição e  Barrancos abre as suas portas, pela primeira vez, para receber o festival do Baixo Alentejo. O oitavo encontro realiza-se nos dias 2 e 3 de junho e, em palco, estará um dos mais destacados agrupamentos portugueses de música antiga – o Ludovice Ensemble –, que  propõe uma viagem ao longo de vários séculos até às míticas fronteiras do Oriente. Este surpreendente programa artístico, jamais ouvido entre nós, é complementado por visitas ao território de Noudar, uma vila quase esquecida, mas não perdida pela vista.

 

Património

Muito provavelmente, poucos conhecem ou ouviram falar de Noudar, mas o Parque de Natureza de Noudar localiza-se na Herdade da Coitadinha, por ‘detrás-dos-montes’ entre o serpenteado do rio Ardila e da ribeira de Múrtega, encaixado entre cumes e colinas na proximidade da vila de Barrancos. Com o intuito de atrair novos moradores à localidade de Noudar, o rei D. Dinis, em 1305, fê-la couto de homiziados – o primeiro do país. A vila cresceria à sombra de um extenso recinto amuralhado, em que domina a emblemática torre de menagem, rodeada pelo alcácer, tendo perto a igreja matriz de Santa Maria de Entre-Ambas-as-Águas. Contudo, o problema demográfico nunca foi resolvido e acabou por ditar o abandono de Noudar. Hoje, dominando uma paisagem de extraordinária beleza, a vila-fantasma de Noudar é um local silencioso, onde já não vive ninguém, mas os seus muros contam muitas histórias. A tarde do dia 2 de junho, a partir das 15h00, vai ser dedicada a ouvir essas histórias sobre o seu passado e presente, visando a redescoberta do castelo de Noudar, sentinela no coração da Andaluzia, e da povoação outrora existente dentro dos seus muros, abandonada no século XIX.

 

Música

No mesmo dia, pelas 21h30, o palco do Cineteatro recebe o agrupamento português de música antiga Ludovice Ensemble, que tem triunfado em grandes festivais e teatros do mundo sob a direcção de Fernando Miguel Jalôto. O ensemble mergulhará em pleno nos repertórios dos séculos XVI-XVIII para apresentar, em Barrancos, uma perspectiva da antiga música húngara, desde os seus registos mais antigos, até aos grandes mestres de Setecentos, como o príncipe Pál Esterházy. Este tributo artístico à Hungria, o país convidado do Terras sem Sombra nesta edição, é completado por uma panorâmica da música europeia nesse tempo, com obras de grandes compositores contemporâneos – Rameau, Marais, Haydn, Fux, Telemann – em que transparecem as influências húngaras, sob vestes egípcias, persas ou turcas.

 

Biodiversidade

Já no domingo, dia 3, a partir das 10h00, vamos descobrir um património natural único e colaborar na sua identificação e defesa e conhecer, ainda, um pouco da identidade e da língua barranquenhas. O Parque de Natureza de Noudar localiza-se na Herdade da Coitadinha, entre os cursos dos rios Ardila e Múrtega, que correm no meio de cumes e colinas. Montado, pastagens, olival tradicional e pastoreio são traços comuns às herdades da região. Na Coitadinha, porém, um relevo mais abrupto e mais rochoso protege enclaves de vegetação em que subsistem azinhais e bosques densos, onde a luz penetra com dificuldade. Redutos únicos numa paisagem muito alterada, em outros séculos, pelo homem, têm agora como protagonista a vida selvagem, o que os torna um notável santuário da biodiversidade.

 

Nota: Todas as atividades são de acesso livre.

 

La Bohemie.

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