O festival Tremor fecha cartaz e os bilhetes estão esgotados.

De 9 a 13 de abril, o festival Tremor toma a ilha de São Miguel como palco privilegiado para a música, com uma programação interdisciplinar que inclui não só concertos, mas também interações na paisagem açoriana, laboratórios, momentos dedicados ao pensamento, arte nas ruas e residências artísticas que se fundem com o público e a comunidade local. Hailu Mergia, Yin Yin e Fumaça Preta fecham o cartaz da 6ª. edição do festival que, a um mês de acontecer, já tem os bilhetes esgotados.

Desde que, em 2013, a Awesome Tapes from Africa recuperou a sua primeira obra, Hailu Mergia and His Classical Instrument, que o sucesso e reconhecimento do etíope Hailu Mergia não tem conhecido abrandamento. Espaços como a Pitchfork, The Wire ou The New York Times rangam-se nos elogios sobre o lugar cimeiro que o músico ocupa na história e evolução do ethio-jazz. O seu mais recente disco, Lala Belu, saiu para o mercado em 2017, mais de uma década depois da última edição, como prova inequívoca da sua história de sobrevivência: um instrumentista forçado ao exílio por um regime ditatorial hostil para com as artes e que acabou a conduzir táxis por mais de 30 anos.

Na Fumaça Preta juntam-se elementos de tropicalismo, fuzz funk, música concreta, acid house e eletrónica vária. Juntam-se África e Brasil, Europa de Norte e o mundo latino. Surgiram quase por acaso quando Alex Figueira juntou um grupo de amigos no seu estúdio analógico mínimo em Amesterdão. Dessa sessão nasceria A Bruxa, o primeiro 45 rotações que deixava já clara a vontade do grupo em derrubar todas as barreiras musicais. Com dois longos duração selados pela incontornável Soundway, é ainda inexplicável o mundo por onde se movem e imprevisível o território que trilham, qual espécie de voodoo que amarra as linhas entre a tradição, o género, a composição e a improvisação.

Foi no verão de 2017 que Kees Berkers e Yves Lennertz começaram a escrever e a gravar canções numa escola de ballet na isolada vila de Plateau de Doenrade. Ávidos colecionadores de discos, os Yin Yin transportam para a sua música a variedade de géneros que podemos encontrar nas suas prateleiras de discos. Partindo da música sul asiática dos anos 60 e 70, construíram um diálogo multilingue, com incursões na música do mundo, funk e eletrónica. Pingpxng, a cassete com que se estrearam, simboliza isso mesmo, explicando em detalhe como duas forças aparentemente opostas podem atuar em complementaridade. Nas residências artísticas, destaca-se a inauguração da exposição que sumariza o trabalho realizado por Renato Cruz Santos e Duarte Ferreira: «Sístole» será composta por um conjunto de instalações que juntando imagem e som constroem uma viagem imersiva ao encontro da ilha do Tremor, pautada pelos ritmos da paisagem.

Apostando na criação de experiências únicas, o festival Tremor convida ainda a companhia polaca Instytut B61 para a apresentação de uma peça-performance imersiva que ocupará um espaço mistério da ilha de São Miguel. Na seção dedicada ao público infanto-juvenil e familiar, o Mini-Tremor, o Estúdio 13, o novo espaço de indústrias criativas de Ponta Delgada, torna-se a casa de miúdos e graúdos com um programa de workshops, concertos, mini-disco e brincadeiras. E porque o cartaz de um festival não se faz sem dança e festa, as noites do evento estarão entregues às mãos de Odete, MCZO & DUKE, La Flama Blanca feat. ZÉFYRE, Black vs DJ FITZ, Zuga 73 + Tape + Nex e DJ Milhafre b2b DJ Fellini.

Juntando mais de 40 artistas, o Tremor apresentará uma vasta programação que ocupa salas de espetáculo e espaços informais de Ponta Delgada e Ribeira Grande. A par dos concertos, a edição 2019 apresenta também aquele que será, porventura, o cartaz mais ambicioso de residências artísticas desde a sua formação.

La Bohemie.

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