O Super Bock já é Red mas ficou muito Super Hot Rock | 1.º dia SBSR

O primeiro dia da 23.ª edição do Super Bock Super Rock arrancou ontem, pelo terceiro ano consecutivo no Parque. Era, sem dúvida, “o” dia desta edição, não estivesse já esgotado há largos meses.

O público esperava sentado nas escadas em volta da MEO Arena, após o concerto de Boogarins, para assistir a mais um espetáculo musical. Ouvem-se conversas de qual o concerto que mais gostavam de ver, em que Red Hot Chili Peppers era o que se ouvia mais – mas já lá vamos. No Palco LG by SBSR.FM, Manuel Fúria e os Náufragos entraram em palco e começaram a festa ao cair da noite. Para quem o nome é estranho, basta dizer “Vá lá Senhora?” não se lembra? Foi com esta canção que Fúria alcançou o sucesso ao lado de Os Golpes. Desta vez, chegou ao Parque com a sua banda Os Náufragos, projeto de onde saíram dois discos muito ao estilo de Heróis do Mar mas do século XXI. “Viva Fúria” é o mais recente álbum de Manuel Fúria e os Náufragos com canções bem ao estilo do rock português e conseguiram meter todo o público a dançar. De destacar “a Igreja estava toda iluminada, oh noiva por favor chega atrasada” que levou o público ao rubro.

Mais tarde, e sem demoras, a banda que no ano passado tinha estado no Palco agora intitulado de LG by SBSR.FM pisa o Palco Super Bock na maior sala de espetáculos do país, a MEO Arena. Sim, os Capitão Fausto abriram o palco para Red Hot – mas já lá vamos novamente. Tomás Wallenstein, Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha e Salvador Seabra com a mesma boa disposição e à vontade de sempre são a prova de que a música portuguesa é ótimo e recomenda-se. Após uns largos minutos de atuação, porque o tempo urge, Wallenstein digire-se ao público com “muito obrigado por estarem aqui, vocês são lindos”. Com os arranjos de metais caraterísticos e o distinto rasgar das guitarras chama o público mais festivaleiro para o já conhecido “crowd surfing”. Por questões de segurança, a equipa de viligância do palco começa a tentar parar o divertimento mas Tomás Wallenstein não gostou: “epá, deixem lá os miúdos fazer crowd surfing à vontade! Não os estejam a expulsar”. Esta forma humana como se apresentam ao público, porque eles mesmos já estiveram e continuam a estar do outro lado, fornece-lhes algo inexplicável. “Amanhã estou melhor” e ontem com os Capitão Fausto estivemos ótimos! E o Palco Super Bock já se encontrava quase lotado…

No Palco EDP, o homem one-man-band dispensa apresentações. Paulo Furtado ou The Legendary Tigerman? Os dois nomes são bem conhecidos para os amantes de música portuguesa. Depois dos discos “Naked Blues”, “Fuck Christmas, I Got the Blues”, “Femina” e “True”, The Legendary Tigerman regressa ao Super Bock Super Rock para estrear mundialmente o seu muito aguardado novo álbum, gravado na Califórnia, “Misfit”. Este último trabalho é o único que não surgiu do conceito a que estávamos habituados de one-man-band. Um espetáculo incrível, como Paulo Furtado nos tem vindo a habituar.

Meia-noite. O Palco Super Bock na MEO Arena está completamente lotado. Baixam-se as luzes. O barulho do público é ensurdecedor. Começa a ouvir-se um audio de um solo de saxofone e luzes azuis erguem-se no palco. O público grita ainda mais alto, na anseia por ver aqueles que são os reis de uma geração nascida na segunda metade dos anos 80 e que despertou para a música ainda com a MTV. Os Red Hot Chili Peppers começam a entrar e a MEO Arena vai abaixo. Os acordes da guitarra elétrica gritam ao ritmo do público. Anthony Kiedis entra em palco e está cumprida a promessa. 11 anos depois aqui estão eles em Portugal. Ouve-se “Can’t stop”, uma entrada em grande. Terminada a primeira canção Kiedis berra “obrigado, obrigado, obrigado”. O reencontro com o público português foi muito quente, não só pelo Hot, nem pelo calor que se fazia sentir na MEO Arena, mas também pelas saudades dos que os viram e ouviram em 2006 mas também para muitos que nunca tinham tido oportunidade. Seguem-se “Snow (Hey Ho)” e até “Dark Necessities”, do disco mais recente. Bastaram 30 minutos para Kieds tirar a camisola, ato que lhe é caratístico. Demonstrou-se elétrico, hiperativo e muito carismático. “Californication” foi a canção que fez colocar os 20 mil festivaleiros de pé. Após um encore de cinco minutos, ouvem-se “Goodbye Angels” e “Give It Away”. Foi Flea que se despediu do público português com “obrigado por estarem aqui e pela oportunidade. Adoramo-vos. Paz e amor”, seguido do baterista Chad Smith que prometeu voltar. Se o Super Bock já é Red, no primeiro dia da 23.ª edição ficou muito Super Hot Rock com os Chili Peppers. Os anos passam e o tempo não passa por eles.

Os Red Hot Chili Peppers não permitiram a captação de fotografias por parte da imprensa digital.

Acompanha também a reportagem da Mafalda Saraiva, aqui, sobre os concertos de Alexander Search, Minta & The Brook Trout, The Orwells, The New Power Generation, Kevin Morby e Throes + The Shine.

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