Os Açores voltam a tremer com o festival Tremor.

O Tremor regressa à ilha de São Miguel entre os dias 9 e 13 de abril e continua a promover uma experiência musical no centro do Atlântico. Colin Stetson, Moon Duo, Pop Dell’Arte, Grails, Lula Pena, Lafawndah, Cave e The Sunflowers são os primeiros nomes a constar no cartaz do festival açoriano.

Saxofonista e compositor, Colin Stetson ocupa um lugar de destaque na cena musical contemporânea. Nascido e criado em Ann Arbor, passou uma década entre São Francisco e Brooklyn, e é dono de uma técnica absolutamente singular. Colin tem vindo a construir uma voz única enquanto solista, aliando a técnica com inquestionáveis capacidades como compositor. Daí que não seja de estranhar que o vejamos circular, com a mesma destreza, na tradição de avant jazz de músicos como Evan Parker ou Mats Gustafsson, ou na música eletrónica noise/drone/minimalista contemporânea de nomes como Tim Hecker e Ben Frost. O artista regressa agora com o novo álbum All This I Do For Glory.

O duo Sanae Yamada e Ripley Johnson estão também de regresso com o mais recente álbum Occult Architecture. Ao quarto disco de estúdio, estes Moon Duo embarcam numa viagem cósmica pelas suas sonoridades mais soturnas e brilhantes, explorando novas texturas e paisagens sonoras que refletem sobre a dualidade entre luz e escuridão, visível nos ciclos das estações e nas variações do dia para a noite e da noite para o dia.

E se de nomes de culto falamos aqui, vénia a João Peste e aos seus Pop Dell’Arte. Com mais de 30 anos de carreira, continuam a alimentar o imaginário de uma música que se quer investida na vanguarda e inimiga do formalismo. Com formação renovada, depois da entrada de Ricardo Martins para a bateria, os Pop Dell’Arte têm estado de regresso à estrada, carregando consigo os temas que constituem os degraus da já longa carreira. Contra Mundum, o mais recente disco de originais, continua a servir de alimento para os concertos e os fãs, habituados a que cada fornada do coletivo dure um longo tempo, tal o impato que o mesmo causa na normalidade do mundo pop.

Já em relação aos Grails, será seguro dizer que parte do que os torna na grande banda que são é a sua capacidade de, a cada disco, experimentar mais ideias e assumir mais riscos do que a maioria das bandas fará em toda a carreira. Teimosamente lutaram contra os clichés da música instrumental, dando-lhe novas fronteiras, e deixando atrás de si um conjunto de álbuns que condensam a herança de todos os que os antecederam, combinando os mais diversos estilos sob o tecto da liberdade musical. Chalice Hymnal, lançado em 2017, é o último disco conhecido da banda americana.

Tornou-se claro que Lula Pena é cada vez mais um tesouro partilhado de todos os lusófonos de coração. De Phados a Archivo Pittoresco, temos vindo a acompanhar o percurso que a guitarrista e compositora faz rumo à canção global. Desprovida de fronteiras, a música que traz a palavra para o centro da sala, mostra-nos perfumes, sotaques, inquietações e esperanças que compõem a alma latina. A primeira leva de nomes para o Tremor fecha-se com a pop futurística da iraniano-egipcía Lafawndah, o psicadelismo dos Cave Story e o rock sem tretas dos The Sunflowers.

La Bohemie.

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