Pico do Mú – o Alentejo Serrano e a sua biodiversidade.

O Terras sem Sombra é um festival em que prevalece não só a paixão pela arte e espiritualidade, como também pela vida, pelo território e pelas gentes da terra. Ao abrigo de protocolos de cooperação entre várias entidades, o Festival promove acções de salvaguarda da biodiversidade. Estas iniciativas, embora actividades simples, são bastante úteis à conservação da natureza. Pelas alturas do Mú – o Alentejo Serrano foi uma estreia neste primeiro fim-de-semana do Terras sem Sombra.

 

Foto: João de Sousa

Apesar da riqueza histórica e da diversidade de paisagens mais ou menos humanizadas do Concelho de Almodôvar, é pelo afecto que se aprofundam e interiorizam todos os valores que este território encerra, longe de estereótipos do mundo moderno. Almodôvar atrai pela autenticidade das suas formas de vida, pela genuinidade das suas gentes e da sua cultura, pelo apelo aos sentidos despertos com as suas paisagens. Aqui os ritmos são outros e permitem a quem chega apreciar e sentir-se parte de um todo onde se inclui história, natureza, pessoas, cores, cheiros e sabores.

Foto: João de Sousa

Já passaram mais de dez anos, mas quem o viveu de perto não esquece com facilidade o grande incêndio de 2004, no qual arderam mais de 30.000 hectares. A Serra do Mú é singular na sua flora – densa e fechada nas umbrias onde domina o medronheiro, o sobreiro, a azinheira, a urze e o rosmaninho – e na sua fauna, do qual o sustento dos habitantes da serra provém da floresta, pecuária e dos recursos silvestres. Ao longo de mais de uma década, a serra perdeu população, viu a transformação do seu capital florestal, mas assistiu também a um incremento dos trabalhos de prevenção e ao surgimento de novas oportunidades em torno dos recursos silvestres.

Foto: João de Sousa

A planície e a serra marcam um território de 800 km², dotado de uma natureza calma e fascinante. A Serra do Caldeirão, a sul, possui uma vegetação mediterrânica bastante densa, ocupando uma área mais acidentada, enquanto que na planície, a norte, a vegetação é menos densa e as árvores encontram-se mais dispersas. O sobreiro, a azinheira, o medronheiro e a esteva são as espécies predominantes no concelho. Portugal enfrenta grandes responsabilidades para conservar e valorizar adequadamente um formidável conjunto de recursos biodiversos. Foi a pensar em toda esta riqueza que não se pode perder e é imperativo proteger, que no domingo passado, dia 12, se realizou a primeira actividade de salvaguarda da biodiversidade no Alentejo Meridional, onde procurámos compreender todas estas mudanças e apontar caminhos para o futuro com a plantação de inúmeros medronheiros e sobreiros.

Foto: João de Sousa

De entrada livre, o Festival Terras sem Sombra é organizado pela Pedra Angular e pelo Departamento do Património desta Diocese e prolonga-se até dia 2 de julho. Um hino ao Baixo Alentejo que pode ser consultado neste nosso artigo.

Fotos: João de Sousa

La Bohemie.

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