Pierre Aderne: o artista brasileiro com alma de português.

Pierre Aderne nasceu em França, cresceu no Brasil e vive em Portugal. É filho de pai português e mãe brasileira. Foi entre Brasília e o Rio de Janeiro que cresceu a ouvir «Águas de Março» de Tom Jobim, as poesias e paixões de Vinicius de Morais, a voz mansa de João Gilberto, as “cirandas” de Lia e os pontos de Candomblé. Pierre Aderne é um artista do mundo e é por ele que voa desde sempre, tendo entre a Europa e as Américas o mesmo número de amigos e parceiros de música. Entrou neste universo de acordes e melodias por sentir uma grande vontade de comunicar e é a partir de imagens que constrói as suas canções. Além de ser um eterno apaixonado pela cidade de Lisboa, na qual encontrou segurança e paz de espírito, foi em Portugal que Pierre descobriu ao longo dos últimos anos novos parceiros musicais, que o levaram a descobrir as ligações estreitas entre a música portuguesa, brasileira e dos países africanos de expressão portuguesa.

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Na sua discografia já fazem parte seis álbuns: Casa de Praia, Alto Mar, Água Doce, Doces Cariocas (em duo com Alexia Bomtempo), Bem me quer mar me quer e o mais recente, Caboclo. Actualmente, o cantor encontra-se a preparar o seu novo disco Da Janela de Inês, um álbum gravado por Gonzalo Lacheras em Madrid e Sérgio Milhano em Lisboa. A produção do mesmo é assinada por Gonçalo Ivo e conta com a participação de vários artistas. O La Bohemie assistiu esta semana à gravação do tema «Às vezes acho», no belíssimo estúdio de som Ponto Zurca, no qual participam os músicos Ciro B. Cruz, Humberto Barros, João Barradas e Miroca Paris. A canção que Pierre compôs numa madrugada e pela qual esperou tantos anos, «fala do maior combustível do amor: a dúvida, aquela que é responsável por nos reinventar a cada manhã. Fala de impulso ímpeto, doses de euforia, do silêncio e do som de vive dentro de cada um de nós, do coração e das coisas do coração». Ainda sobre a nova música, Aderne agarrou na viola e lembrou-se de uma canção do compositor Aroldo Alves Sobrinho (Peninha) gravada por Caetano Veloso que já tinha sido gravada por Sandra de Sá – com quem teve o privilégio de cantar umas quantas vezes nos seus espetáculos no Morro da Urca – quando cantavam uma música que Lenine havia composto para si nos seus vinte e poucos anos. E assim surgiu talvez o tema mais romântico da vida, lembrando-se de Sandra, de Peninha, de Caetano, de Tim Maia e de todos que mergulharam sem pudor no Amor.

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Da Janela de Inês é um disco em que quase todas as letras são em prosa, fragmentos de um romance imaginário que o artista estava a escrever. Os temas não têm nome, apenas dias – 10 dias na vida de Inês, a sua personagem. «Às vezes acho» é a excepção à regra e, além de ser o tema que fecha o álbum, foi escrita por Léo Minaz, cantor e compositor mineiro que, assim como Pierre Aderne, também ele vive em Diáspora musical brasileira. Pierre Aderne escreve com o coração e canta com a alma.

Fotos: Alfredo Matos

La Bohemie.

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