Sentir e viver a aldeia | Dia 11 BONS SONS

De 8 a 11 de agosto, Cem Soldos deu as boas-vindas à 10.ª edição do festival BONS SONS, e as boas energias dos habitantes da aldeia receberam os visitantes de coração e alma. Foram quatro dias com mais de 50 concertos em 10 palcos dedicados a uma programação distinta, mas o BONS SONS há muito que deixou de ser apenas um festival, para se tornar numa aldeia em manifesto.

Depois de um dia esgotado e três dias intensos de música, cinema, performances e todo o tipo de atividades em Cem Soldos, o BONS SONS chegou ao seu último. E porque uma imagem vale mais do que mil palavras, e a alma faz parte do coração, partilhamos o registo fotográfico de um dos festivais mais bonitos e genuínos do verão, para que possam igualmente viver e sentir a aldeia.


Viver e sentir a aldeia | Dia 8 BONS SONS

No início da tarde subiram ao palco Vozes Tradicionais Femininas, um grupo amador residente desde 2017 na Casa da Comarca da Sertã, em Lisboa. Como o nome indica, estas mulheres de todas idades formam um coro de vozes e exibem o seu amor pela tradição oral e a busca pelo resgatar de uma cultura antiga.

Mantendo a lógica do aproveitamento de tradições antigas, Ricardo Leitão Pedro partilhou no palco Carlos Paredes o seu amor pelo canto al liuto, acompanhado por vários instrumentos de corda dedilhada.

Ao longo da tarde, a dupla Galo Cant’às Duas emanou energias rítmicas e harmónicas com as suas percussões e o seu contrabaixo; a cantautora portuense Telma fez-nos viajar pelas suas muitas influências musicais acompanhada por um pianista e Pedro Mafama, que depois de estagiar na Enchufada e nos apresentar o EP Má Fama,em 2017, continua a espalhar os sons ecléticos das guitarras melancólicas do fado e das batidas sensuais da tarraxinha, com trap, kuduro e música eletrónica à mistura.

No Palco Zeca Afonso atuaram Joana Gama + Sopa de Pedra. De um lado, o super-grupo composto por dez mulheres que interpretam arranjos originais de músicas populares portuguesas sempre com ouvido atento às tradições das várias regiões de Portugal. Do outro, a música multifacetada e pianista Joana Gama que se dedica à musicalidade do século XX e XXI com uma expressividade que é mesmo só dela. Juntas revisitam o repertório de Lopes-Graça num dos concertos comemorativos das dez edições. Logo de seguida juntaram-se dois músicos de jazz de gerações completamente diferentes, Ricardo Toscano e João Paulo Esteves da Silva. O primeiro, menino-prodígio do saxofone, lançou disco a solo recentemente. Já o segundo conta com uma longa carreira no mundo da música. No BONS SONS, juntaram-se para uma demonstração do talento imenso que ambos têm.


Viver e sentir a aldeia | Dia 9 BONS SONS

Desde 2011 que Luísa Sobral cria música e lança discos e, em 2017, escreveu aquela que seria a música vencedora do Eurovisão, «Amar pelos Dois», interpretada pelo irmão Salvador Sobral. Agora, está de volta aos palcos com nova banda e o BONS SONS foi uma das suas paragens para atuar no Palco Zeca Afonso. A noite prosseguiu com o compositor, multi-instrumentista e produtor Júlio Pereira. Já lançou 20 discos e trabalhou em mais 80. Inicialmente ligado ao rock, agora dedica-se à música tradicional portuguesa e é essa sua faceta que está presente no festival este ano.

Tape Junk  e convidaram Benjamim e, juntos, muito fizeram dançar com o seu rock simples e intenso, presente no mais recente álbum Couch Pop. Do Palco António Variações para o Palco Lopes-Graça, assistimos às claras influências das tradições musicais de Cabo Verde de Dino D’Santiago, que vão desde a eletrónica lisboeta ao funaná, batuku, morna, quizomba e afro house.


Viver e sentir a aldeia | Dia 10 BONS SONS

O último concerto da noite pertenceu aos Sensible Soccers + Tiago Sami Pereira, no Palco António Variações. Com os seus arranjos em progressão e melodias pop, editaram em 2019 um disco produzido por B Fachada e apresentaram-no agora ao vivo. Ao grupo juntou-se Tiago Sami Pereira que voltou com o seu característico bombo e inabalável amor pela percussão tradicional portuguesa.

No final da última noite do festival BONS SONS, Moulinex apresentou um concerto acompanhado por Diogo Arranja, Ghetthoven, Gui Tomé Ribeiro, Gui Salgueiro e muitas surpresas.

Fotos: Verónica Paulo | Carlos Manuel Martins

La Bohemie.

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