Sirumba, o jogo ganho pelos Linda Martini.

Podia ser mais um jogo de polícias e ladrões, mas Sirumba é o nome do quarto álbum de originais de uma das bandas portuguesas mais acarinhadas pelo público, Linda Martini. A banda de rock formada por André Henriques (voz e guitarra), Cláudia Guerreiro (baixo e voz), Hélio Morais (bateria) e Pedro Geraldes (guitarra e voz) saltou de quadrado em quadrado e conseguiu ganhar mais uma partida, desta vez no mediático Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Foram mais de mil os fãs que encheram o Coliseu de Lisboa no dia 2 de abril, sexta-feira, para ouvir pela primeira vez, naquele palco, os Linda Martini que apresentaram o mais recente disco, Sirumba. Como quem foge da polícia, lançaram-se de imediato ao tema homónimo e de seguida a «Unicórnio de Santa Engrácia» com o verso É preso ou predador? cantado em uníssono pela plateia. Mesmo antes de «Juventude Sónica» (Casa Ocupada, 2010) o vocalista André Henriques espantou-se com um «Eh pá, vieram tantos» e ainda brincou com o público «Vocês sabem que o Araújo e o Zambujo estão de férias, eles não vêm cá hoje». Brincadeiras à parte, os Linda Martini já não parecem uns putos, nem têm aulas amanhã, pelo contrário, são um caso sério e se há 10 anos se juntaram apenas para tocar umas músicas, hoje são considerados uma das melhores bandas de rock do país.

Com toda a pujança, «Preguiça» toca e foge de Sirumba, para «Amor Combate» de Olhos de Mongol (2006). Como em qualquer jogo, seguiu-se um alinhamento pensado e com regras, e fizeram do novo álbum o jogador principal. Hélio Morais expressa a felicidade da banda estar finalmente a tocar no Coliseu e dedica «Putos Bons» ao público. Seguem-se alguns temas novos como «Comer Por Dois», «Dentes de Mentiroso» e «Farda Limpa», mas não se esquecem de relembrar os tão conhecidos e igualmente bonitos Casa Ocupada, Turbo Lento e Olhos de Mongol.

Ao longo de duas horas, num concerto com mais de 20 temas, o Coliseu tremeu. De um lado, o público eufórico e cheio de expectativas, do outro uma banda mais madura, cheia de certezas e com uma entrega indescritível. O rock pungente continua lá, as guitarras suam riffs como antigamente, mas nota-se uma cadência mais pensada e propositada. Não importa quem são os polícias e os ladrões, não interessa quem apanha quem. Ali, naquela sala, o público miúdo e graúdo tirava t-shirts, dançava, pulava, gritava, assobiava. Ali, naquela plateia em pé e nas bancadas, vivia-se o amor de uma banda que há uma decada faz o que mais gosta, e sentia-se a felicidade do quarteto entregue a cada um de nós. Num concerto longo e bonito, cantou-se «Ratos», «O dia em que a música morreu», «Dez Tostões», «Panteão» «Este Mar», «Belarmino Vs.» e «Cem Metros Sereias», primeiro entoado à capela pelo público a exigir encore, e depois a fazer parte do mesmo cantado pelo banda.

Ao longo do concerto o grupo agradece ao público, à família e à equipa técnica, sem a qual não teriam conseguido tanto sucesso. Hélio Morais confessa que se casava naquela noite, Cláudia Guerreiro recebe um cravo vermelho, André Henriques orgulha-sa do filho mais velho estar no meio do público e Pedro geraldes acaba mesmo para se atirar para os braços do mesmo no fim do concerto. Num palco desenhado com luzes e enquadrado ao pormenor – como quem desenha com giz quadrados no alcatrão pronto a começar o jogo Sirumba – os Linda Martini terminaram o concerto com o corpo, alma  e coração e venceram com «O amor é não haver polícia». Porque no final de tudo, o amor vence sempre.

 

 

Fotos: João Salema

La Bohemie.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *