Terras Sem Sombra à descoberta das maravilhas do rio Mira.

Considerado um dos menos poluídos da Europa, o rio Mira atravessa todo o concelho de Odemira e desagua em Vila Nova de Milfontes. A importância do Mira para o território reflecte-se não só a nível ambiental e pela biodiversidade dos ecossistemas ribeirinhos, mas também económico. Ao longo de um percurso de barco, organizado pelo festival Terras Sem Sombra, foram reconhecidos os habitats mais relevantes deste rio e analisadas as suas principais ameaças.

No passado domingo, dia 5 de março, o festival Terras Sem Sombra realizou a segunda actividade de biodiversidade pelos meandros do Mira. Este rio nasce na serra do Caldeirão e desagua no oceano Atlântico, em Vila Nova de Mil Fontes e, juntamente com o Sado, comunga a particularidade de correr na direcção de sul para norte. Pelo caminho enche a albufeira de Santa Clara, sendo navegável de Odemira até à foz. É um dos rios menos poluídos da Europa e continua, como no passado, a ser um importante meio de actividades piscatórias e marisqueiras.

Foto: Alfredo Rocha

O percurso iniciou-se, para alguns, no Cais de Vila Nova de Milfontes e seguiu no sentido da nascente. O restante grupo partiu do antigo porto fluvial da Casa Branca, que chegou a registar grande actividade comercial, como o escoamento da produção de minério e cereais que eram produzidos na região. Hoje está notoriamente debilitado e a necessitar de urgente intervenção por parte da freguesia de São Luís. Durante o percurso tivemos a oportunidade de observar a fauna e a flora presente na envolvente do rio, avistar nas margens do mesmo alguns Moinhos de Maré com a particularidade de utilizarem o efeito das marés para colocar em funcionamento o aparelho de moagem.

Foto: Alfredo Rocha

Junto a Vila Nova de Milfontes fica o maior estuário da costa alentejana e vicentina. Aqui podem observar-se aves típicas de estuário, aves marinhas e aves de habitats florestais. É também um dos melhores sítios do país para observar a gaivota de cabeça preta. O estuário do Mira permite explorar alguns tipos diferentes de habitats, desde os cordões dunares da Praia das Furnas, na margem sul da foz do rio, até zonas de Sapal e antigos tanques de salinas, na zona do Moinho da Asneira, passando por águas abertas em frente a Vila Nova de Milfontes, e zonas de bosque e matagal nas margens sul deste estuário.

Foto: Alfredo Rocha

A Fauna deste Parque Natural apresenta, de facto, um conjunto de espécies que lhe conferem grande importância e valor de conservação. Deste modo, a Costa Sudoeste é o único local conhecido mundialmente onde a cegonha-branca nidifica em falésias marítimas. Aqui ocorre também uma população de lontras Lutra Lutra que utilizam o meio marinho como habitat de alimentação, sendo esta a única população conhecida que desenvolveu tal adaptação. Para além das espécies que se reproduzem na região, ainda ocorrem no Parque Natural numerosas espécies migradoras, tendo a sua importância como ponto de estudo das migrações de aves, sido reconhecida desde há décadas por investigadores nacionais e internacionais. De especial significado é a migração outonal de aves planadoras através de Sagres – S.Vicente, que envolve alguns milhares de aves de rapina, incluindo águias-calçadas, águias-cobreiras, gaviões, falcões-abelheiros, grifos e abutres do Egipto.

Foto: Alfredo Rocha

O rio Mira é conhecido pela beleza do seu estuário, a significativa variedade de habitats e culturas, a zona de sapal, o arrozal, os bancos de areia e as praias e falésias são particularmente singulares que merecem uma visita ou passeio à descoberta das suas maravilhas.

Foto: Alfredo Rocha

Foto: Alfredo Rocha

Fotos: Alfredo Rocha

La Bohemie.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *