Terras Sem Sombra navega além mar.

O Cante Alentejano está prestes a realizar o Sonho Americano. A 15.ª edição do Terras Sem Sombra tem como país convidado os Estados Unidos, e traz a Portugal destacados intérpretes do outro lado do Atlântico. O programa do festival – que começa no próximo dia 26 de janeiro e termina no mês de julho – conta com quase 50 atividades, entre concertos, conferências, visitas ao património e ações de salvaguarda da biodiversidade, em treze cidades: Vidigueira, Serpa, Monsaraz, Valência de Alcântara, Olivença, Beja, Elvas, Cuba, Ferreira do Alentejo, Odemira, Barrancos, Santiago do Cacém e Sines.

O Terras Sem Sombra há muito que contribui para tornar acessível ao mundo a identidade artística e cultural de uma região quase esquecida: o Alentejo. Aliando a música ao património e à biodiversidade, o Festival partilha a experiência única de como se vive nesta região e como se perspetiva o passado, o presente e o futuro de um território onde se registam alguns dos mais altos índices de preservação patrimonial e ambiental da Europa. O evento não se limita a trazer o mundo ao seu território, mas levar também a sua cultura ao mundo.

Ao longo de treze encontros, Portugal, Espanha e Estados Unidos da América cruzam-se entre terra e mar, com o tema Sobre a Terra, Sobre o Mar – Viagem e Viagens na Música (Séculos XV-XXI). A abertura do festival ocorre no Kennedy Center, em Washington, onde, no coração da capital, escutar-se-á pela primeira vez o Cante, através das vozes do Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento. De Madrid chega o Trío Arbós, com um programa de música hispano-portuguesa dos séculos XIX-XX. Juan de la Rubia, organista titular da basílica da Sagrada Família, de Barcelona, apresentará, na Sé de Elvas, a obra de Antonio de Cabezón. Em Odemira teremos um concerto de Quartetazzo, formado por quatro mulheres flautistas da Argentina, do Brasil e de Espanha, que recriou melodias tradicionais da América do Sul.

Se os laços à América e a Espanha dão o mote ao Terras Sem Sombra, os autores e intérpretes portugueses são uma prioridade do festival e assumem o seu protagonismo. Da programação fazem parte nomes como Ana Telles, a Orquestra Clássica do Sul e o maestro Rui Pinheiro, Sofia Diniz, Fernando Miguel Jalôto ou Nuno Lopes. Há também espaço para uma aproximação a outras pátrias musicais, abarcando intérpretes da Hungria, da República Checa e das Filipinas, algo a ter em conta numa edição dedicada ao périplo de Fernão de Magalhães, mas que não esquece os 550 anos do nascimento de Vasco da Gama (1569-2019).

Participar no Terras significa adentrar-se no que o Alentejo tem de mais interessante para oferecer. Neste ano, a panóplia patrimonial abre-se decisivamente a novos âmbitos, entre eles o património imaterial, dando grande atenção a aspetos tão diversificados como o fabrico artesanal do pão, a aprendizagem do Cante ou as tradições relacionadas com os astros, com a sua observação nocturna como pano de fundo. Quanto à biodiversidade, 2019 vai ser um ano cheio de aventuras, como acompanhar o elevador de peixes da barragem de Pedrógão, participar na festa do mundo rural, seguindo um rebanho de ovelhas de raças autóctones ao longo das canadas reais, com os pastores de Beja e do Fundão, ou entrar nas águas portuárias de Sines para conhecer a vanguarda da aquacultura. Já na zona da Extremadura iremos percorrer a maior mancha de monumentos megalíticos da Europa, em Valência de Alcântara, conhecer os segredos do Tejo internacional ou aprofundar a personalidade única de Olivença.

La Bohemie.

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