Viver a Aldeia, Ser a Aldeia.

É muito difícil falar-se do festival BONS SONS quando isso representa uma das melhores e mais aguardadas semanas do ano. O Bons Sons representa novas e velhas amizades, novos e antigos amores, novas emoções e recordações. O Bons Sons não é só viver a Aldeia, é ser a própria Aldeia, é fazer parte desta experiência tão única e tão característica de Cem Soldos. Foram 4 dias, 50 bandas e 32.000 visitantes que marcaram presença na 10ª edição do Bons Sons para apagar as velas e comemorar 10 anos de música portuguesa. Cem Soldos é a Aldeia que marca a história da cultura em Portugal.

Foto: Mafalda Saraiva

Nove da manhã e a luz e o calor que se sente na tenda obriga-nos a despertar. Alguém grita alvorada e o cérebro leva tempo a processar que estamos num parque de campismo sem serviço de quartos. Lá fora, os mais variados resquícios denunciam a grande festa que houve na noite anterior. A água é imperativa, os óculos de sol essenciais. Na rede da árvore alguém dorme ainda com a roupa com que se deitou. A guitarra soa desafinada, a cabeça muito pesada. Com a loiça num alguidar por lavar, tudo serve para enganar a fome – muesli sem leite, salsichas sem ovos mexidos, pão sem manteiga. Seguem-se os banhos gelados, as conversas matinais, as recordações descomunais e as histórias que farão História.

Foto: Mafalda Saraiva

Um pouco mais acima, a Aldeia já está em grande alvoroço. Cem Soldos enche-se de energia com actividades para toda a família, que incluem música para bebés, contadores de histórias, exposições, instalações e performances artísticas. Ouvem-se os primeiros ensaios e soundchecks do dia, o Café tem filas atípicas para o pequeno-almoço, a relva artificial e as sombras são aproveitadas para descansar e o mini-mercado vende o essencial. É de manhã que se ultimam todos os preparativos, se corrigem imperfeições, se melhoram detalhes. A Associação Cultural é o centro das atenções e o ponto de encontro para muitos – uma televisão para ver os Jogos Olímpicos, um bar com os mais variados bolos que enganam os tolos, uma mesa de ping-pong, computadores para as crianças jogarem e os adultos se actualizarem. Há jornais de Tomar e de Cem Soldos, há cacifos e filas para carregar os telemóveis.

Foto: Mafalda Saraiva

Mas nem só de Bons Sons vive o concelho de Tomar. Apesar da mais variada oferta musical logo pela tarde, há quem aproveite para conhecer lugares idílicos e convidativos a banhos refrescantes – as famosas praias fluviais. Não há nada melhor do que agarrar no carro e rumar a lugares nunca antes vistos e ficar sem palavras. Há quem prefira ficar no Campismo e comer enlatados e há quem vá a mergulhos e faça sandes em cima do joelho. Há quem apanhe banhos de sol na praia fluvial e há quem atravesse para a ilha a nado. Há quem ande de barco, mota de água e canoa ou simplesmente descanse no colchão, na bóia e jogue à bola. O espírito do Bons Sons é de camaradagem, sem rotinas e sem horários. Saltita-se entre o Campismo e a Aldeia, ouve-se concertos, conhece-se pessoas, festeja-se o amor e os aniversários, janta-se na tenda ou petisca-se na tasca, vê-se todas as barraquinhas, percorre-se todos becos e ruelas, bebe-se, brinda-se, agradece-se.

Foto: Mafalda Saraiva

Durante quatro dias não só vivemos a Aldeia, como somos a própria Aldeia. Falamos com os seguranças, conversamos com os voluntários, conhecemos os habitantes, ficamos amigos dos amigos. Durante quatro dias todos nós somos gentes da terra e é essa proximidade do exterior com o interior que faz deste festival tão especial. O Bons Sons é a Tixa e o Tixão. O Bons Sons é conhecer pessoas de uma ponta à outra do país; é encontrar amigos e conhecer os amigos dos amigos; é jantar ao lado de artistas e conversar com eles; é cozinhar dentro de um alguidar ou comer da lata; é chegar à Taberna e já saberem o que queres; é ouvir a banda preferida e ficar maravilhada com uma banda desconhecida. O Bons Sons é andar de caneca pendurada e nunca recusar o que te põem nela; é ir à tenda trocar de roupa e adormecer; O Bons Sons é deitar de manhã e acordar a meio da manhã; é rir das quedas dos outros e chorar das nossas; é ajudar e ser ajudado. O Bons Sons é procurar um after no acampamento dos outros; é comer frangos pela manhã no acampamento dos outros; é encontrar uma piscina no acampamento dos outros. O Bons Sons é nunca ter bateria ou rede e encontrar sempre a malta. O Bons Sons é ainda não ter terminado e já desejar repetir tudo outra vez. O Bons Sons é das melhores experiências que se pode ter na vida.

No ano passado foi assim. Este ano foi ainda melhor.

La Bohemie.

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